O hábito de leitura se constrói
Por José Anderson - Prof. Língua Portuguesa
A construção do leitor começa no afeto e se fortalece na parceria entre família e escola.
Por José Anderson - Prof. Língua Portuguesa
A formação de um leitor não acontece por acaso, pois ela é o resultado de uma construção conjunta, um verdadeiro trabalho em equipe entre o lar e o mundo dentro do colégio. Isto é, quando esses dois mundos se alinham, o livro deixa de ser uma obrigação escolar e passa a ser uma janela de descobertas voluntárias.
Aqui está como essa engrenagem funciona na prática: a família é o primeiro contato da criança com o mundo dos símbolos. Isso ocorre quando seu pai, mãe, avó, avô ou qualquer responsável lê historinhas para ela dormir.
O amor pela leitura raramente nasce de uma ordem (“Vá ler um livro!”), mas sim do exemplo e do afeto.
O exemplo arrasta: crianças que veem seus pais, avós ou responsáveis lendo jornais, revistas ou livros tendem a normalizar o ato. A leitura passa a ser vista como uma atividade de lazer, e não como um castigo.
Ler para um filho antes de dormir cria uma memória afetiva poderosa. A voz dos pais associada às histórias gera uma sensação de conforto e segurança, fazendo com que o cérebro da criança associe o livro a algo prazeroso.
Ter livros ao alcance das mãos, espalhados pela casa, e permitir que a criança escolha o que quer ler — mesmo que sejam gibis ou livros ilustrados no início — é fundamental para construir o interesse próprio.
A escola como espaço de ampliação
A escola é o espaço de ampliação. Ou seja, se a casa planta a semente, a escola é a terra fértil que ajuda a árvore a crescer e a ramificar. É no âmbito escolar que a leitura ganha novas camadas de profundidade e socialização.
A escola tem o papel de mediar o contato do aluno com gêneros literários que ele talvez não encontraria em casa, como, por exemplo, poesia, clássicos, crônicas e literatura universal.
É importante que a escola desenvolva projetos pedagógicos como café literário, saraus e debates sobre livros, porque debater uma obra com os colegas mostra que uma mesma história pode ter múltiplas interpretações. Tudo isso já é feito no Colégio Helios.
Todavia, o grande desafio da escola é equilibrar a leitura acadêmica — necessária para exames e aprendizado — com a leitura pelo puro prazer. É necessário que professores demonstrem entusiasmo ao falar de uma obra, pois isso fará com que consigam contagiar os alunos de forma singular.
A ponte perfeita entre casa e escola
Por conseguinte, a ponte perfeita se consolida quando há uma via de mão dupla: no momento em que o livro lido na escola vira assunto no jantar de casa, e quando a curiosidade despertada em casa encontra respostas na biblioteca do colégio.
Não se trata de transferir a responsabilidade de um lado para o outro. A casa humaniza o livro; a escola o contextualiza e o expande.
O Colégio Helios e as famílias não formam apenas estudantes que sabem decodificar palavras, mas sim cidadãos críticos, empáticos e com passe livre para infinitos mundos possíveis.
O papel materno na vida acadêmica de um filho
Por Juliana Lima - Vice Diretora Administrativa
Por Juliana Lima - Vice Diretora Administrativa
O dia das mães se aproxima e, nós, como educadores, não poderíamos deixar de ressaltar a importância da figura materna (quem nem sempre é desempenhada pela mãe biológica) na vida acadêmica das crianças e adolescentes.
Todo aluno precisa de um ambiente propício para o aprendizado, não só na escola, mas em casa também, e a mãe pode ter um papel fundamental nisso, oferecendo suporte emocional e estimulando o seu desenvolvimento intelectual. Mas em meio a tantas outras preocupações, muitas vezes nos perguntamos: Como fazer isso?
A mãe é a primeira educadora da criança, transmitindo os valores e ensinamentos básicos que serão a base para a sua formação. Desde cedo, ela estimula a curiosidade, incentiva a busca pelo conhecimento e gera um interesse genuíno pelo aprendizado. Essa atitude positiva em relação à educação influencia diretamente a postura do aluno na escola, motivando-o a se dedicar e a aproveitar as oportunidades de aprendizado.
Uma boa estratégia é estabelecer uma comunicação aberta e afetuosa, fazendo-se disponível para ouvir os pensamentos, sentimentos e preocupações de seu filho, validando-os, demonstrando empatia e oferecendo suporte emocional quando necessário. Dessa forma, a criança se sente segura o suficiente para deixar fluir a sua curiosidade e a busca por aprendizado, pois não se sente reprimida em seus questionamentos, mas incentivada a buscar conhecimento.
Além disso, essa conexão emocional faz com que as crianças sejam mais colaborativas, recebendo e compreendendo melhor as nossas orientações, o que facilita o estabelecimento de uma rotina consistente e estruturada, com horários previsíveis para refeições, sono, estudos e atividades. Essa previsibilidade ajuda a criança a se sentir segura e confiante em relação ao seu ambiente, tornando-o propício para o aprendizado.
Para as crianças menores, é possível criar em casa ambientes que incentivem a curiosidade, preferencialmente longe das telas, com livros, jogos educativos, materiais artísticos e científicos disponíveis para que o filho possa explorar e descobrir por si mesmo. Fazer perguntas abertas também é uma opção: "Por que você acha que isso acontece?" ou "O que você acha que acontecerá se fizermos isso de outra maneira?"
Já para os mais velhos, é muito importante criar um ambiente aberto e acolhedor onde o filho se sinta à vontade para expressar seus interesses. A escuta ativa é essencial nesse momento: despindo-se de julgamentos ou pré-julgamentos, ouvir com atenção e fazer perguntas para entender melhor o que desperta o interesse do filho, pesquisando e aprendendo junto com ele, ajudando-o a ampliar seu conhecimento e explorar diferentes aspectos relacionados ao tema, através de livros, filmes ou sites relevantes.
Que neste dia das mães e em todos os outros dias, nós mães consigamos estabelecer essa conexão com nossos filhos e ser, na vida deles, uma figura de conforto, segurança e encorajamento para que sigam adiante na jornada do conhecimento.
Feliz dia das Mães!

