Tecnologia em sala de aula: aliada ou distração? 

O papel da mediação pedagógica na aprendizagem significativa

Por Prof. Érica – AEE - Atendimento Educacional Especializado 

Se voltarmos algumas décadas no tempo, veremos uma sala de aula marcada pelo som do giz na lousa, pelos livros abertos e pelas pesquisas em enciclopédias. O modelo tradicional foi essencial na formação de gerações, estruturando o conhecimento a partir da escuta, da leitura e da interação direta.

No entanto, a sociedade evoluiu — e a educação também precisou evoluir.

Hoje, a tecnologia em sala de aula faz parte da rotina escolar. Dispositivos digitais, plataformas educacionais, ambientes virtuais e recursos interativos refletem uma sociedade conectada. Vivemos o que o sociólogo Manuel Castells denomina de sociedade em rede, marcada pela circulação global de informações e pela transformação nas formas de aprender e interagir.

Diante desse cenário, surge a pergunta central:
a tecnologia na educação é aliada da aprendizagem ou pode se tornar distração?

A resposta está na intencionalidade pedagógica.

Tecnologia com propósito e mediação pedagógica

Quando integrada com planejamento, a tecnologia amplia possibilidades de aprendizagem significativa. Permite simulações, aprendizagem colaborativa, desenvolvimento de competências digitais e protagonismo estudantil.

Segundo José Moran, a tecnologia só faz sentido quando está a serviço de metodologias ativas e da construção do conhecimento.

Já Paulo Freire defendia que educar exige compreender o tempo histórico em que vivemos. Inserir tecnologia na prática pedagógica é reconhecer a realidade dos estudantes — mas sempre com criticidade.

Sob a perspectiva de Lev Vygotsky, a aprendizagem acontece por meio da mediação. A tecnologia pode ser um instrumento mediador poderoso, mas quem dá sentido a ela é o professor. É o educador quem organiza, orienta e transforma o recurso em experiência significativa.

Tecnologia e inclusão no AEE

No Atendimento Educacional Especializado (AEE), a tecnologia na educação assume papel fundamental na inclusão escolar. Ferramentas de acessibilidade digital promovem autonomia, participação ativa e equidade.

Quando utilizada com propósito, a tecnologia favorece a aprendizagem significativa de todos os estudantes, respeitando ritmos e necessidades específicas.

Os desafios da hiperconectividade

É preciso reconhecer os riscos do uso excessivo. O sociólogo Zygmunt Bauman analisa que vivemos em uma sociedade marcada pela fluidez e pela rapidez das informações.

Nesse contexto, educar também significa ensinar foco, responsabilidade digital e pensamento crítico.

A especialista Martha Gabriel destaca que não basta inserir tecnologia: é necessário desenvolver competências digitais para utilizá-la de forma ética e produtiva.

Tecnologia em sala de aula: equilíbrio e consciência

A tecnologia não substitui o professor.
Não substitui o diálogo.
Não substitui o vínculo humano.

Ela amplia.

Não se trata de escolher entre o quadro ou o tablet.
Trata-se de integrar recursos com consciência.

A tecnologia em sala de aula é aliada quando há propósito, mediação e equilíbrio — porque é a educação que transforma inovação em aprendizagem e prepara os estudantes para a sociedade em rede.

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